Vídeo volta a circular com alegação de que EUA deportaram estudante chinesa, mas caso não é comprovado
Estudante chinesa é deportada
Publicação afirma que uma estudante chinesa chamada Liu Lijun teria sido deportada por apoiar a Palestina, mas checagem anterior ouviu o ICE, que disse não haver evidências que sustentassem a alegação.
Um vídeo de uma mulher sendo detida durante manifestações pró-Palestina nos Estados Unidos voltou a circular nas redes sociais acompanhado da afirmação de que o governo americano teria deportado uma estudante chinesa chamada Liu Lijun por apoiar a Palestina.
A publicação mais recente, feita pela conta GBC Press, afirma diretamente que os Estados Unidos deportaram a estudante. A alegação, porém, tem origem em uma história que circula desde o início de 2025 e cuja veracidade foi posteriormente contestada.
Em 1º de fevereiro de 2025, o jornal paquistanês The Express Tribune publicou que Liu Lijun, apresentada como estudante chinesa da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), teria tido seu visto estudantil revogado após participar de protestos pró-Palestina e enfrentaria possível deportação. A própria publicação tratava a informação como algo relatado por outras fontes, e não como uma confirmação oficial das autoridades americanas.
Três dias depois, em 4 de fevereiro, a USC Annenberg Media publicou uma checagem sobre o caso. O veículo entrou em contato diretamente com o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos, o ICE.
Segundo a reportagem, um representante do órgão afirmou que não havia informações que sustentassem as alegações de que a mulher mostrada no vídeo fosse uma estudante chinesa chamada Liu Lijun que tivesse perdido o visto por causa dos protestos. Fontes familiarizadas com as manifestações também disseram à Annenberg Media que a pessoa mostrada nas imagens tinha outro nome.
A reportagem destacou ainda que não conseguiu confirmar sequer se a mulher que aparece no vídeo era estudante da UCLA.
O caso ganhou um novo elemento em maio de 2025. Em um artigo publicado na Poppy Press, uma publicação independente administrada por estudantes da comunidade da UCLA, uma autora que afirma ser a mulher mostrada nas imagens relatou que foi presa durante o protesto de 2 de maio de 2024.
No texto, ela afirmou ter nascido e crescido nos Estados Unidos, disse que era estudante de graduação e declarou que seu nome não era Liu Lijun. Segundo o relato, o nome teria sido atribuído a ela por contas nas redes sociais após as imagens de sua prisão começarem a circular. O texto foi publicado como um relato em primeira pessoa e, portanto, representa a versão apresentada pela própria autora.
Apesar disso, a história continuou sendo reproduzida em redes sociais e alguns sites, inicialmente afirmando que o visto havia sido revogado e que uma deportação poderia ocorrer.
A publicação que circula atualmente vai além: afirma que a estudante já teria sido deportada pelos Estados Unidos.
Até o momento, porém, não encontramos confirmação oficial do ICE ou outra fonte governamental americana que comprove que uma pessoa chamada Liu Lijun, associada a esse vídeo, tenha sido deportada por participar ou apoiar manifestações pró-Palestina.
Dessa forma, a afirmação de que “os Estados Unidos deportaram a estudante chinesa Liu Lijun por apoiar a Palestina” não deve ser apresentada como fato comprovado.
O vídeo da prisão é real e foi registrado durante os protestos na UCLA, mas a identidade atribuída à mulher e a alegação de revogação de visto e posterior deportação são contestadas pelas evidências disponíveis.
Fontes consultadas: USC Annenberg Media, The Express Tribune e Poppy Press.